Hoje é um grande dia para a América e para o mundo, dizemos adeus ao coiso, vai e não voltes! e eu partilho convosco um escrito da minha mãe de há precisamente 12 anos, 20/01/2009, da tomada de posse de Obama que ela seguiu na CNN e relatou com pormenor num dos seus cadernos. É um excerto, já que o escrito é longo e descreve todos os momentos desse dia que ela viveu intensamente.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
" A Posse ( Mister President, sir)
...Barack Obama já tomou posse como Presidente dos Estados Unidos da América e está agora a fazer o discurso de Estado. Viva Obama!!! A câmara mostrou agora um velho negro americano em cujo rosto as lágrimas caíam. Acho que é bem o símbolo daqueles que no passado sofreram as humilhações que todos conhecemos... "
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
"As Festas da Cidade 1950
Agora que passaram as festas da cidade que este ano foram molhadas, lembro aqui os festejos de 1950 que duraram todo o mês de Maio. Foram os 400 anos de elevação a cidade. Tal como acontece sempre, as Primaveras em Portalegre não primam pelo clima ameno e nesse ano de 1950 também assim foi. Não choveu mas houve frio e lembro-me que usei um casaquinho de malha sempre que saía. O vem, o suão, fez voar alguns arranjos que enfeitavam o jardim público ( um castelo com 2 torres situava-se onde é agora a Cadislegre. Era feito em material que facilmente o vento derrubava mas lá se foi aguentando). No velho estádio da Fontedeira ( onde é hoje o hotel) fizeram-se serões de variedades com cantores portugueses e alguns brasileiros e espanhóis. Lembro-me de ver actuar os irmãos Andrade ao piano e canto lírico ( um deles, o Luís, é o pai da Serenella Andrade). Também lá vi cantar o Francisco José, o José António, Maria Clara e muitos mais, apresentados pelo Artur Agostinho. É dessa altura, no estádio, o desafio entre o Sporting e julgo que um misto do Desportivo e Estrela. Vi jogar o Travassos e o Albano, Vasques e Jesus Correia, grandes jogadores internacionais. Também jogava nessa altura o Carlos Canário que era natural de Portalegre e irmão do sr. Canário, barbeiro que durante muitos anos cá veio a casa cortar o cabelo ao António ( também o cortou à Isabel Maria em pequenina). Também actuou no teatro Portalegrense o Orfeão e a Tuna Universitária de Coimbra. Foi oferecido aos estudantes uma recepção e baile de gala mas com muita pena minha, não fui. Enfim, foi um mês em cheio e parece que não houve dia nenhum que eu ficasse em casa. Esse Maio de 50 foi de festa na cidade e foram, sem dúvida, as maiores comemorações que a câmara organizou. Lembro que em 1940 ou 41 também houve festejos na cidade, não sei a que propósito, mas tenho ideia de uma verbena ( Verbena Azul) feita no pátio do Liceu e que constava de bailes e actuações de cantores e fadistas. Também recordo que nessa mesma altura desfilaram pelas ruas marchas populares e tenho ideia de duas: a da Fábrica Robinson e da Lanifícios. Parece-me que era a da Lanifícios que tinha trajes de saia preta e blusa amarela e na cabeça um chapéu em forma de castelo. Uma das marchas era dedicada à cidade e ainda me lembro bem dela. Desses festejos recordo a “ Aldrabona” e os “ Beduínos”."
Maria Clotilde Eustáquio
Portalegre, 2 de Junho de 1997
sábado, 21 de maio de 2016
É neste pequeno bloco encadernado a cabedal que estão escritos os poemas de amor dos meus pais que acabo de publicar. A letra muito miudinha do meu pai não tornou a tarefa fácil mas creio ter conseguido transcrever correctamente. Também não importa, o que importa é tê-los publicado e assim torná-los eternos. Acabou-se o caderno mas o blog continua, aqui iremos pondo os escritos da minha mãe e talvez também uma coisa minha que já escrevi há anos mas que me apetece partilhar. Por aqui continuaremos, sempre em nome da mãe.
sexta-feira, 20 de maio de 2016
Ao António
Sózinha neste mundo
Um dia me encontrei!
A alma escancarada à ventania
O coração calado
E espezinhado
A vida sem norte e sem guia.
Na alma
O travo amargo
Duma dura provação
Mais pobre que o pobre
A quem negam o pão!
Sózinha!
Sem o terno apoio
Dum coração amigo
Cumprir sem culpas
Um duro castigo,
E se não pequei, até...
Só a Deus agradeço
Por me ter dado
! Dádiva sem preço!
A chama alta de uma grande fé!
Mas um dia,
Alguém surgiu no meu caminho
E a minha vida mudou de cor!
Voltei a viver
E a querer
Ser alguém p'ra esse amor!
Hoje vivo e sei porque vivo,
Sei que quero viver
A minha vida.
Embora tenha sido uma desiludida, Hoje quero viver
Para ao pé dele ser
Uma estrela, uma nuvem, uma tarde,
Qualquer coisa, enfim!
Que seja igual a mim, Tudo para ele
Eu que era... nada...!!
5-11-952
Maria Clotilde
Um dia me encontrei!
A alma escancarada à ventania
O coração calado
E espezinhado
A vida sem norte e sem guia.
Na alma
O travo amargo
Duma dura provação
Mais pobre que o pobre
A quem negam o pão!
Sózinha!
Sem o terno apoio
Dum coração amigo
Cumprir sem culpas
Um duro castigo,
E se não pequei, até...
Só a Deus agradeço
Por me ter dado
! Dádiva sem preço!
A chama alta de uma grande fé!
Mas um dia,
Alguém surgiu no meu caminho
E a minha vida mudou de cor!
Voltei a viver
E a querer
Ser alguém p'ra esse amor!
Hoje vivo e sei porque vivo,
Sei que quero viver
A minha vida.
Embora tenha sido uma desiludida, Hoje quero viver
Para ao pé dele ser
Uma estrela, uma nuvem, uma tarde,
Qualquer coisa, enfim!
Que seja igual a mim, Tudo para ele
Eu que era... nada...!!
5-11-952
Maria Clotilde
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Saudades
À Tininha
Partiste e tudo ficou!
Saudades e sonhos
correm pela vida em atropêlo!
E dos beijos que te dou
Nada mais resta que o gosto
Amargo do meu anelo!
Beijo,
Saudades infindas,
E onde andais?
E tu, boca que eu desejo,
Porque não voltas ainda,
Porque não me beijas mais?
Lábios vermelhos,
Ardentes,
Rubros de desejo,
Se quereis seguir um conselho
vinde, antes que caia doente
Pela fome do vosso beijo!
Não demores,
vem depressa, amor!
Embora eu saiba que choras
Sempre que um beijo te dou
Eu quero beijar-te agora,
Abraçar-te a toda a hora,
Por nos beijos tal fervor
Que não possa o coração
Ouvir a voz da razão
E da minha alma que chora!
António
Partiste e tudo ficou!
Saudades e sonhos
correm pela vida em atropêlo!
E dos beijos que te dou
Nada mais resta que o gosto
Amargo do meu anelo!
Beijo,
Saudades infindas,
E onde andais?
E tu, boca que eu desejo,
Porque não voltas ainda,
Porque não me beijas mais?
Lábios vermelhos,
Ardentes,
Rubros de desejo,
Se quereis seguir um conselho
vinde, antes que caia doente
Pela fome do vosso beijo!
Não demores,
vem depressa, amor!
Embora eu saiba que choras
Sempre que um beijo te dou
Eu quero beijar-te agora,
Abraçar-te a toda a hora,
Por nos beijos tal fervor
Que não possa o coração
Ouvir a voz da razão
E da minha alma que chora!
António
quarta-feira, 30 de março de 2016
Eternidade
Um dia,
Quedei-me a olhar
A minha sombra,
Que morria
Nas manchas que o luar
Deixava sobre a terra.
E a sombra era tão fria,
Que eu tremia
E levantei a gola do casaco!
Fiquei a olhá-la,
Perdido no tempo e no espaço
E tive medo de mim!
Pois a a sombra era tão fria,
Tão negra e tão esguia,
Que mais parecia
O cipreste de um jardim...
Mas nesse dia, eu,
Era pior que a sombra que morreu!
Fui há dias visitar
Aquele triste lugar,
Negro e gélido,
Onde a sombra aparecia
E morria,
Sob as manchas do luar!
Quedei-me a olhá-la
E não vi a sombra do meu eu
Que morreu!
Ouvi cantos e gorgeios,
Tive anelos e anseios,
Vivi sonhos e tormentos,
E os mais belos pensamentos
À minha volta se adensaram!
Pasmei por me ver assim,
Tão alegre, tão diferente,
Olhei o céu no poente,
P'ra saber ao que devia
Tão grande transformação!
Saltava-me o coração
E nos olhos dançava um querubim
Que troçava e ria,
E trazia
Na mão um nome: Tininha!
Então baixei o rosto,
E na sombra clara do sol posto
Vi a tua sombra unida à minha.
António
8 - 10- 1952
Quedei-me a olhar
A minha sombra,
Que morria
Nas manchas que o luar
Deixava sobre a terra.
E a sombra era tão fria,
Que eu tremia
E levantei a gola do casaco!
Fiquei a olhá-la,
Perdido no tempo e no espaço
E tive medo de mim!
Pois a a sombra era tão fria,
Tão negra e tão esguia,
Que mais parecia
O cipreste de um jardim...
Mas nesse dia, eu,
Era pior que a sombra que morreu!
Fui há dias visitar
Aquele triste lugar,
Negro e gélido,
Onde a sombra aparecia
E morria,
Sob as manchas do luar!
Quedei-me a olhá-la
E não vi a sombra do meu eu
Que morreu!
Ouvi cantos e gorgeios,
Tive anelos e anseios,
Vivi sonhos e tormentos,
E os mais belos pensamentos
À minha volta se adensaram!
Pasmei por me ver assim,
Tão alegre, tão diferente,
Olhei o céu no poente,
P'ra saber ao que devia
Tão grande transformação!
Saltava-me o coração
E nos olhos dançava um querubim
Que troçava e ria,
E trazia
Na mão um nome: Tininha!
Então baixei o rosto,
E na sombra clara do sol posto
Vi a tua sombra unida à minha.
António
8 - 10- 1952
quinta-feira, 3 de março de 2016
Juro
Ao António
Eu não te queria afirmar
Pois sei que juras de amor
Quase não têm valor
E não vale a pena jurar.
Mas para mim é diferente
Quero jurar porque é melhor,
P'ra saberes que o meu amor
Durará eternamente!
Ouve amor: juro por Deus,
Pela luz dos olhos meus,
Por tudo te quero jurar,
Que esta boca que tu beijas,
Onde quer que tu estejas,
Nenhum outro há-de beijar!
Maria Clotilde
7- 10-1952
Eu não te queria afirmar
Pois sei que juras de amor
Quase não têm valor
E não vale a pena jurar.
Mas para mim é diferente
Quero jurar porque é melhor,
P'ra saberes que o meu amor
Durará eternamente!
Ouve amor: juro por Deus,
Pela luz dos olhos meus,
Por tudo te quero jurar,
Que esta boca que tu beijas,
Onde quer que tu estejas,
Nenhum outro há-de beijar!
Maria Clotilde
7- 10-1952
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