quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Os combatentes

No final dos anos 30, num Lar para veteranos militares, ainda viviam uns quatro ou cinco ex-combatentes da Guerra de 1914-1918. Eram todos medalhados, mas já desmemoriados e doentes. O capitão Pina, o alferes Vieira e o cabo rancheiro Pedro são dos que me lembro melhor.
À noite, reuniam-se no salão para ver jogar partidas de xadrez, ping-pong e bisca. O capitão Pina arrastava os pés e sentava-se a um canto, longe de tudo e de todos.
O alferes, que usava uma viseira no olho direito, era um filósofo, e não raro fazia grandes discursos invocando e elogiando a fundadora do Lar, a Princesa D. Maria Francisca Benedita, misturados com citações de filósofos gregos e impropérios contra o Governo da altura.
O cabo Pedro andava de cadeira de rodas, pois tinha ambas as pernas amputadas; mas era o que tinha melhor memória e a Batalha de La Lys era uma constante recordação, pois lá tinha sido gravemente ferido, o que levou à amputação das pernas.
Eram os sobreviventes de uma guerra longínqua, dramática e que, como diria o alferes Vieira, não tinha melhorado o mundo. Como todas as guerras: dispensáveis, diria eu...

3 comentários:

|b| disse...

absolutamente dispensáveis!

Luciana Mira disse...

Muito interessante fazer um blogger com as coisas que sua mãe escerve e mais interessante são as coisas que ela escreve. Gostei muio! Parabens pela iniciativa!

Beijos!
Deus te abençõe!

Bernadete Reis disse...

Olá
Minha mãe completará em 1°. julho próximo 79 anos.
Ela também adora escrever e embora só tenha frequentado até a segunda série, sempre leu muito e foi bastante curiosa. Isso a auxiliou a descobrir muitos caminhos e inclusive a perceber logo nos primeiros sintomas que meu pai tinha desenvolvido o mal de Parkinson, surpreendendo o médico.
Inicialmente a escrita era manuscrita, depois ela passou a máquina de escrever.
Já publicou um livro com suas poesias e sempre participa de consursos de trovas e poesias.
Há dois anos adquiriu um computador e matriculou-se num curso de informática. Hoje já nos surpreende com as peripécias realizadas no office. Qualquer dia mando um poema dela para você e sua mãe e se não se importa acho que vou copiar sua idéia e montar um blog para ela.