domingo, 17 de janeiro de 2016

PARA TI

Não sei dizer-te como em mim nasceu
toda esta ternura, todo o meu querer,
não sei amor, nem o quero saber,
só sei apenas que...aconteceu!

Não sei dizer-te porquê este amor
me enche toda numa doçura calma.
num louco desejo que me abraça a alma
e que dá ao coração meigo calor.

Não sei amor...não sei se isto que sinto
é amor...mas sei que não te minto
ao dizer que a teu lado sou feliz...

Não sei definir esta ternura
que me faz amar-te com loucura
e querer-te como jamais alguém te quis.

Maria Clotilde
22-9-1952

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O MEU SOL
( Para o António)

Andei na vida ao sabor da sorte
sofri, chorei, fui escrava da dor
não sabia sorrir, não conhecia amor
e quantas vezes desejei a morte!

À noite, sozinha, meditava enfim,
e era triste e negro o futuro,
sombras se adensavam no meu céu escuro
tudo de bom morrera para mim!

Mas, de repente, o sol apareceu
desfez-se a treva, clareou o céu,
acordou a vida de um longo torpor!

E o sol que ilumina esta minha ilusão,
e põe risos de oiro no meu coração.
só podes ser tu, só tu, meu amor!

Maria Clotilde
18-9-52

sábado, 27 de junho de 2015

Ambição ( À Tininha)

Não!                                  
Eu sei que não foi sonho,
nem visão,
quem me guiou para ti!
Andava pelas ruas
errante e vago,
passos perdidos,
vida sem afago, olhos presos
na sombra da noite que avançava,
quando uma luzinha
que no firmamento
bem perto da lua
estava,
me disse:
" O teu caminho é por aqui!"
E eu, louco,
segui-lhe o rasto,
beijei-lhe os passos,
cheio de alento
que a luz que dela vinha
me inundava!
Não olhei para trás,
pisei sonho, imagens,
atravessei o lago das miragens,
passei a floresta dos gnomos
e bati-lhe à porta.
Entrei
e só me quedei
quando te vi!
Morto de cansado
ébrio de sede,
a teus pés ajoelhei
e pedi que me desses de beber!
Tu sorriste
Levantaste-te
deste-me a mão,
ajudaste-me
a arrastar os pés p'lo chão!
Depois...
Deste-me a boca,
que beijei com fúria louca
e sinto que adormeci!
Ao acordar,
ébrio ainda de sede de beijos
rompia o alvorecer!
E agora,
que a toda a hora
o coração
me diz que não foi sonho nem visão,
agora,
que a mesma sede me atormenta
e surge a dor,
diz-me que não foi sonho,
meu amor!

Setembro de 1952
António

terça-feira, 17 de março de 2015

Ser Poeta

( Ao António)

Quisera na arte levar a palma
Saber fazer versos a cantar
E por eles poder expressar
O poema que me vai na alma

Ser poeta p'ra cantar ao vento
O ideal que guia esta ansiedade
Ser poeta encantado de saudade
Ter arte, ter fama e ter talento!

Poder cantar com uma voz sonora
Que a minha'alma canta, ri e chora
E gritar bem alto o meu desejo:

Que amo o teu perfil, o teu olhar
 E esse teu sorriso de encantar,
Que eu quisera poetizar num beijo!!

Maria Clotilde
17/9/1952

sexta-feira, 13 de março de 2015

quinta-feira, 5 de março de 2015

MELANCOLIA

MELANCOLIA
( à Tininha)

Sinto que mudei.
Já não sou aquele
Que fazia da vida uma canção,
Que ria,
E sorria,
E brincava
Com o coração
 De toda a mulher que amei !
Amei…
Eu sei lá se amei…
Porque o que sinto agora,
E sucede a toda a hora
Que penso nela,
A isto eu chamo amor.
Quero-te
E odeio-te!
Quero-te muito, muito,
Quando falas comigo
E te tenho a meu lado!
Quando,
Num olhar fortuito,
Teu meigo sorriso
Me deixa calado!
O meu amor
Vai todo para ti!
És tudo para mim,
Sou tudo para ti,
Eu sei… amor!
Odeio-te
Porque me fazes sofrer
Porque já não sei viver
Sem ti, sem teu amor!
Tenho ciúmes
De toda a gente que fale contigo!
E esse lume,
Que do amor faz dor
E me traz louco,
Fez-me ver há pouco
Que mudei!
Mas mesmo assim,
O meu amor vai todo para ti!
És tudo para mim,
E sou tudo para ti?
Não sei se sou…Amor!

Setembro de 1952

António