domingo, 14 de dezembro de 2008

O comunista

Por volta de 1943 ou 1944 esteve em nossa casa uma personagem à qual eu baptizei de "o comunista", de tal modo que para mim, durante muitos anos, um comunista era um homem que se vestia de castanho, usava chapéu e tinha um ar misterioso.
Esse homem chegou a nossa casa recomendado pelo meu tio Aníbal, e ficou conosco uns dois dias. Durante esse tempo, esteve quase sempre fechado com o meu pai na sala e foi de relance que o vi. Quem era? Nunca soube, apenas percebi que o tratavam por Sr. Mata. Foi-se embora como chegou, cercado de mistério e silêncio. Na manhã em que partiu levava uma pequena mala, o chapéu e o tal fato castanho. Mais tarde vim a saber que era um ferroviário militante do Partido Comunista, que estava em fuga para o estrangeiro. Se conseguiu ou não, ou se o verdadeiro nome dele era mesmo Mata, ninguém soube...

3 comentários:

|b| disse...

ENA ENA! LOGO DOIS! VIVA!

joana disse...

esta história parece a da "outra" que fazia os trabalhos de casa da primária nas reuniões d'O Partido, onde a sua mãe falava das suas aulas de alfabetização e de desigualdades socias!
no fim dos "malditos" t.p.c.s a "outra", com pouco mais de 6 anos, esticava-se no banco corrido, feito pelas mãos calejadas dos camaradas, e descansava a cabeça no colo da mãe.
deitada, só via lá no cimo da parede, muito alto, quase junto ao tecto, uma foto dum senhor careca, com um ar simpático, de pêra e bigode.
"que grande que é este senhor!", pensava.
Passados cerca de 12,13 anos, a dita vai a Moscovo, visita o mausoléu do senhor e descobre como era pequeno, esse "senhor grande"!
enfim... os Homens têm destas coisas! tão depressa são grandes, como pequenos!
jana bucha

Isabel I disse...

Pois este passado anti fascista da minha mãe e da sua familia foi uma total novidade para mim. Não conhecia esta história. Mas é mais uma nota de perigo e aventura que fica-bem em todas as biografias. Isabel I