domingo, 14 de dezembro de 2008

Cinema paraíso

Em garota tive pretensões a actriz, como quase todas as raparigas: copiava as roupas e os penteados das vedetas e cheguei a mandar fazer uma camisola igualzinha à que a Anne Blith vestia na capa da revista "Cena Muda"; também conseguia dar ao meu cabelo aquela queda em onda larga do lado direito, tal e qual a Veronika Lake...
Ainda cheguei a ver cinema mudo, no Cinema Royal, em Lisboa, e depois em Runa, onde o meu pai prestava serviço militar no Asilo dos Inválidos do Exército. Num barracão improvisado em sala de cinema, vi filmes da Shirley Temple e do Charlot comentados pelo projeccionista. Quantas lágrimas me fizeram chorar aquelas cenas a que os comentários emprestavam um dramatismo ingénuo, tão próprio daqueles tempos!
Mais tarde, menina e moça na minha cidade, punha o melhor vestido para ir às matinés; no Verão, o cinema era ao ar livre, em cadeiras muito duras, pelo que muitas vezes levavámos cadeiras confortáveis de casa. Nos intervalos (todos os filmes tinham intervalo), aproveitámos para conversar e catrapiscar alguém. Foi assim que vi todos os grandes filmes dos anos 30 e 40, mas recordo especialmente, pela ternura e pela ingenuidade, os filmes da série da Família Hardy, com o Mickey Rooney e a Judy Garland.
Até hoje, só a magia renovada do cinema me conseguiu transmitir o fascínio que me toca e me enche de emoção.

3 comentários:

Guilhotina disse...

Vão ao youtube e procurem os filmes da família Hardy, são muito engraçados.

Isabel I disse...

Todas as gerações têem os seus filmes e era giro até confrontar essas memórias. Agora vamos menos ao cinema mas sempre adorei e desde muito pequena que vou. Os meus primeiros filmes foram os do Joselito e da Marisol.

Catarina disse...

eu lembro-me do cinema ao ar livre, no patio da fábrica dos tapetes. Vi lá o E.T.