Um dia,
Quedei-me a olhar
A minha sombra,
Que morria
Nas manchas que o luar
Deixava sobre a terra.
E a sombra era tão fria,
Que eu tremia
E levantei a gola do casaco!
Fiquei a olhá-la,
Perdido no tempo e no espaço
E tive medo de mim!
Pois a a sombra era tão fria,
Tão negra e tão esguia,
Que mais parecia
O cipreste de um jardim...
Mas nesse dia, eu,
Era pior que a sombra que morreu!
Fui há dias visitar
Aquele triste lugar,
Negro e gélido,
Onde a sombra aparecia
E morria,
Sob as manchas do luar!
Quedei-me a olhá-la
E não vi a sombra do meu eu
Que morreu!
Ouvi cantos e gorgeios,
Tive anelos e anseios,
Vivi sonhos e tormentos,
E os mais belos pensamentos
À minha volta se adensaram!
Pasmei por me ver assim,
Tão alegre, tão diferente,
Olhei o céu no poente,
P'ra saber ao que devia
Tão grande transformação!
Saltava-me o coração
E nos olhos dançava um querubim
Que troçava e ria,
E trazia
Na mão um nome: Tininha!
Então baixei o rosto,
E na sombra clara do sol posto
Vi a tua sombra unida à minha.
António
8 - 10- 1952
quarta-feira, 30 de março de 2016
quinta-feira, 3 de março de 2016
Juro
Ao António
Eu não te queria afirmar
Pois sei que juras de amor
Quase não têm valor
E não vale a pena jurar.
Mas para mim é diferente
Quero jurar porque é melhor,
P'ra saberes que o meu amor
Durará eternamente!
Ouve amor: juro por Deus,
Pela luz dos olhos meus,
Por tudo te quero jurar,
Que esta boca que tu beijas,
Onde quer que tu estejas,
Nenhum outro há-de beijar!
Maria Clotilde
7- 10-1952
Eu não te queria afirmar
Pois sei que juras de amor
Quase não têm valor
E não vale a pena jurar.
Mas para mim é diferente
Quero jurar porque é melhor,
P'ra saberes que o meu amor
Durará eternamente!
Ouve amor: juro por Deus,
Pela luz dos olhos meus,
Por tudo te quero jurar,
Que esta boca que tu beijas,
Onde quer que tu estejas,
Nenhum outro há-de beijar!
Maria Clotilde
7- 10-1952
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Aquela Noite
Subimos, amor, àquela igreja
Onde não há quem nos veja
E que é tão perto do céu!
Depois, enlaçados,
Ficámos extasiados
Tu e eu.
Amor...depois...tu sabes,
Um beijo e outro beijo
E sempre o mesmo desejo
De nunca mais acabar!
E a lua que nos espreitou
Com certeza que ficou
Com esta convicção:
De duas bocas unidas
Duas almas, duas vidas
Formando um só coração.
Maria Clotilde
4/10/1952
Para ti, António, lembrando uma noite que ficou para sempre gravada na minha alma
Onde não há quem nos veja
E que é tão perto do céu!
Depois, enlaçados,
Ficámos extasiados
Tu e eu.
Amor...depois...tu sabes,
Um beijo e outro beijo
E sempre o mesmo desejo
De nunca mais acabar!
E a lua que nos espreitou
Com certeza que ficou
Com esta convicção:
De duas bocas unidas
Duas almas, duas vidas
Formando um só coração.
Maria Clotilde
4/10/1952
Para ti, António, lembrando uma noite que ficou para sempre gravada na minha alma
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Sonhador
Meu amor,
amo-te muito!
Se as palavras que te digo
não to fazem entender,
é porque nasceu comigo
o sonho de me perder!
De noite sonho contigo,
e não vou aqui dizer
os meus sonhos e tormentos!
De dia sou teu amigo,
pois não me deixo envolver
pelos tristes pensamentos!
A lua fala comigo
contigo falou a lua
que ilumina a nossa rua!
Mas, quando o sol brilhar
sei que já não vou sonhar
com a linda imagem tua!
Eu gosto da noite, amor,
da noite p'ra te abraçar
da noite p'ra te beijar,
da noite... p'ra me perder...
Eu gosto de ti, amor,
porque és todo o meu desejo
porque é só a ti que beijo,
Porque ao surgir o alvor,
só a ti eu sei dizer:
beija-te o ... teu amor!
António
23/9/1952
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Mãe
Mãe que Levei à Terra
Mãe que levei à terra
como me trouxeste no ventre,
que farei destas tuas artérias?
Que medula, placenta,
que lágrimas unem aos teus
estes ossos? Em que difere
a minha da tua carne?
como me trouxeste no ventre,
que farei destas tuas artérias?
Que medula, placenta,
que lágrimas unem aos teus
estes ossos? Em que difere
a minha da tua carne?
Mãe que levei à terra
como me acompanhaste à escola,
o que herdei de ti
além de móveis, pó, detritos
da tua e outras casas extintas?
Porque guardavas
o sopro de teus avós?
como me acompanhaste à escola,
o que herdei de ti
além de móveis, pó, detritos
da tua e outras casas extintas?
Porque guardavas
o sopro de teus avós?
Mãe que levei à terra
como me trouxeste no ventre,
vejo os teus retratos,
seguro nos teus dezanove anos,
eu não existia, meu Pai já te amava.
Que fizeste do teu sangue,
como foi possível, onde estás?
como me trouxeste no ventre,
vejo os teus retratos,
seguro nos teus dezanove anos,
eu não existia, meu Pai já te amava.
Que fizeste do teu sangue,
como foi possível, onde estás?
António Osório, in 'A Ignorância da Morte'
domingo, 17 de janeiro de 2016
PARA TI
Não sei dizer-te como em mim nasceu
toda esta ternura, todo o meu querer,
não sei amor, nem o quero saber,
só sei apenas que...aconteceu!
Não sei dizer-te porquê este amor
me enche toda numa doçura calma.
num louco desejo que me abraça a alma
e que dá ao coração meigo calor.
Não sei amor...não sei se isto que sinto
é amor...mas sei que não te minto
ao dizer que a teu lado sou feliz...
Não sei definir esta ternura
que me faz amar-te com loucura
e querer-te como jamais alguém te quis.
Maria Clotilde
22-9-1952
toda esta ternura, todo o meu querer,
não sei amor, nem o quero saber,
só sei apenas que...aconteceu!
Não sei dizer-te porquê este amor
me enche toda numa doçura calma.
num louco desejo que me abraça a alma
e que dá ao coração meigo calor.
Não sei amor...não sei se isto que sinto
é amor...mas sei que não te minto
ao dizer que a teu lado sou feliz...
Não sei definir esta ternura
que me faz amar-te com loucura
e querer-te como jamais alguém te quis.
Maria Clotilde
22-9-1952
segunda-feira, 27 de julho de 2015
O MEU SOL
( Para o António)
Andei na vida ao sabor da sorte
sofri, chorei, fui escrava da dor
não sabia sorrir, não conhecia amor
e quantas vezes desejei a morte!
À noite, sozinha, meditava enfim,
e era triste e negro o futuro,
sombras se adensavam no meu céu escuro
tudo de bom morrera para mim!
Mas, de repente, o sol apareceu
desfez-se a treva, clareou o céu,
acordou a vida de um longo torpor!
E o sol que ilumina esta minha ilusão,
e põe risos de oiro no meu coração.
só podes ser tu, só tu, meu amor!
Maria Clotilde
18-9-52
( Para o António)
Andei na vida ao sabor da sorte
sofri, chorei, fui escrava da dor
não sabia sorrir, não conhecia amor
e quantas vezes desejei a morte!
À noite, sozinha, meditava enfim,
e era triste e negro o futuro,
sombras se adensavam no meu céu escuro
tudo de bom morrera para mim!
Mas, de repente, o sol apareceu
desfez-se a treva, clareou o céu,
acordou a vida de um longo torpor!
E o sol que ilumina esta minha ilusão,
e põe risos de oiro no meu coração.
só podes ser tu, só tu, meu amor!
Maria Clotilde
18-9-52
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