domingo, 31 de agosto de 2008

O amor nunca é demais

Há anos, em conversa com uma pessoa com a qual viajava várias vezes e falando de crianças e de filhos pequenos, esse alguém dizia que não tinha habituado os filhos a mimos. Por mimos ele entendia fazer pequenas vontades, trazer prendas na volta de alguma viagem, enfim...Nada de concessões, que a gente pequena é abusadora e tem que ser tratada com rigor! Nem mesmo pelo Natal, dizia ele, gastava dinheiro com elas, as suas crianças. Só uns chocolates, e mesmo assim era a mulher que os comprava.
Eu ouvi, não concordei mas não fiz comentários. Lembrei-me deste episódio quando, em mais um Natal, voltei a ver nos olhos dos meus netos aquela alegria irreprimível com que sempre desembrulham os presentes, isto quando o o Pai Natal é o próprio Pai e Tio...
A capacidade de amar está, para mim, na razão directa do afecto que se recebeu algum dia. Não constitui decerto uma regra, mas a minha experiência diz-me que muitas vezes assim sucede. Não será o grande amor que recebi na minha infância que me faz hoje ter forças e coragem? Não será, ainda ele, que me faz amar tão profundamente todos os meus? Todo o amor que se dá tem retorno algum dia, mesmo depois de já cá não estarmos, na forma como somos recordados.


P.S. É através dos olhos dos meus netos que eu vejo o futuro.

2 comentários:

Catarina disse...

...
e o primeiro post que leio é logo um dedicado aos netos! A minha avó Catita é o máximo, e a Tia Guilhotina também!
Beijos

Guilhotina disse...

Há muita, muita coisa bonita para se ler, vais ver.