sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Saltimbancos, ou "la strada" à portuguesa

Numa feira de uma cidade de província, no final da década de 1930, um homem corpulento, de calças largas e colete, segurava uma corrente que prendia um urso castanho. O animal dançava e rebolava no chão, obedecendo à voz do dono, que lhe dizia "Dança, Mariana!"; uma mulher de pele escura, com um lenço de onde pendiam medalhas amarrado na testa, tocava pandeireta, marcando o ritmo da dança. Mais à frente, ficava a barraca dos "Robertos", os fantoches, com as suas personagens: o Zé Broa, o Diabo, A Mulher Mal Casada, o Padre, que actuavam num palco de onde pendia um pano de ramagens.
O que mais me impressionava era o número da cabra subida no gargalo de uma garrafa, não pela dificuldade, mas sim pelo animal e pelas gentes que a exibiam, gente pobre, cujo chamariz para o espectáculo era um toque de corneta, ao mesmo tempo que uma garota magrita fazia piruetas num tapete verde desbotado.
Era frequente haver anões nessas troupes de saltimbancos, e lembro-me que o meu primo Jorge uma vez fez uma tremenda birra, porque queria que a mãe levasse um desses anões para lhe dar de comer. "Assim ele crescia, mamã..."

2 comentários:

Isabel I disse...

Não sou do tempo dos saltimbancos mas ainda me lembro de que as feiras eram acontecimentos aguardados com ansiedade para se fazerem muitas compras. Lembro-me de irmos à feira de Castro Verde e principalmente das feiras de Nisa. As melhores de todas eram as feiras da Cereja quando estávamos no Lar. Aí é que era andar de carrinhos de choque! Isabel I

Guilhotina disse...

Na feira de Nisa até há aquele episódio do frade...Mas as feiras ficam para depois.