quinta-feira, 26 de março de 2009

As lições de piano

Teria uns nove ou dez anos quando comecei a ter aulas de música para aprender a tocar piano. Tudo muito bonito, muito "benzoca", só que não gostei mesmo nada. Era um professor já de idade, que tinha por hábito usar um pequeno ponteiro nas aulas de solfejo para bater nas mãos dos alunos, quando estes se enganavam. Doía, doía a valer e devo confessar que me desagradava o facto de o meu lhe pagar para ele me bater nos nós dos dedos; não fazia sentido!
Disse em casa que não continuaria a ir às lições de piano.
- Que pena! - disseram tanto a minha mãe como o meu pai, mais ela do que ele, porque se eu não gostava, ele também não. Também soube na altura que tencionavam comprar um piano para mim, um piano que era de umas senhoras irmãs que iam viver para Lisboa e queriam vender o velho piano de cauda por um preço muito acessível, porque eram amigas da minha família há muitos anos.
Tudo ficou sem efeito, uma vez que eu tinha dito categoricamente que não queria aprender música. Arrependi-me mais tarde: será que hoje teria ali na sala um Steinway, no qual as minhas netas pequenas tocariam, acompanhadas à guitarra pelos primos?

3 comentários:

|b| disse...

Pois a mim aconteceu a mesma coisa. A Sra. Dona Sílvia Sajara batía-me e gritava-me e eu zanguei-me com a música. Desisti e só bem mais tarde voltei a tocar autodidaticamente. E se nos aconteceu com o piano a outros acontece noutra qualquer discuplina. Infelizmente não há forma de erradicar esses cancros.

Naza Bispo disse...

Deve ser terrível,para qualquer um aprender com austeridade...
imagine para uma criança então,ainda bem que a senhora conseguiu tomar essa atitude,e se livrou desse aborrecimento,pior é continuar só pra agradar os outros.

Guilhotina disse...

Naza, obrigada (em nome da Mãe) pelo seu comentário e pelo seu intesse neste blog. Quanto às lições de de piano, não posso estar mais de acordo: a música não se aprende à força...