domingo, 29 de março de 2009

O jardim

Quando a minha geração era adolescente, o jardim siginificava muito: era sinónimo de escapadelas, de leitura, de convívio, de namoricos, de divertimento, enfim, de tudo o que a gente nova gosta ainda. Era um jardim bonito, arborizado, com um lago, bancos, recantos discretos, parque infantil e, em tempos, também com biblioteca.
Há cerca de dois anos, resolveram modificá-lo, com o Projecto Pólis. Aqui na cidade, todos pensaram : "sim senhor, é capaz de melhorar e devolver à cidade um jardim a que os mais novos não tinham grande ligação. Porque não?" Como diria o meu Pai, é para bem do povo e não se paga nada. Vamos a isto! E começaram as obras; não sei bem quanto tempo demoraram, mas finalmente o jardim ficou pronto!
Mas oh desilusão, surgiu um espaço incaracterístico, foram cortadas árvores, os bancos desapareceram, assim como o lago e o parque infantil, e em seu lugar nada surgiu de positivo , de prático, digno de uma cidade. Um espaço vazio de memória, onde não apetece ir e onde o poeta foi escondido, para que não veja o que fizeram ao seu jardim. Já lá não passo há largos meses, e acho que não voltarei lá. Desgosta-me ver o meu jardim dos anos 40 transformado em lixeira, mas em todo o caso, um espaço para o Popov, o lindo Labrador da minha neta, brincar, correr, dar largas à sua insaciável vontade de se divertir, como todo o cão que se preza.
Ao menos ele que disfrute do defunto jardim...

6 comentários:

Isabel I disse...

Pois é, agora que vêem aí eleições e para calar a boca aos munícipes, resolveram semear na relva uns aparelhos tipo parque infantil. Quem me dera em Sobral de Monte Agraço! Isabel I

|b| disse...

Dito desse forma até parece que gosta muito de cães..

Sação, vê lá se não anda prái escrita aquela ocasião em que rasgou as meias todas a subir a um penedo à frente de um cão.

Guilhotina disse...

Estás a ser muito injusto,não gosta de cães mas o Popov é especial, para ela ela e para todos nós.
E também quanto ao gostar de cães, há muito que se lhe diga: a gente tem é muito medo, percebes?
Sobre isso das meias rasgadas ainda não vi nada escrito, mas foi memorável: eu própria estava lá e esfolei os joelhos e as mãos.

Catarina disse...

a cena da subida ao penedo foi um daqueles (não) raros casos familiares de histeria colectiva

Mac disse...

O Popov conquistou 3 pessoas que não se sentem muito confortáveis junto de Cães. A minha Mãe era uma dessas pessoas e até já o passeia à trela.
Quanto ao jardim, o gosto é uma coisa muito individual. No que a mim me toca já fico contente de continuar a ser um espaço verde e não ter visto ali nascer um prédio ou uma rotunda.

tiana disse...

Gosto tanto dos nossos casos familiares de histeria colectiva